Como os produtores rurais devem evitar a mortandade de abelhas?

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Uso correto de agrotóxicos é o principal agente da mortandade, ainda mais agora, com o plantio para a próxima safra e a floração

Da Redação

A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural divulgou nesta semana orientações aos produtores rurais sobre o uso correto de agrotóxicos para evitar a mortandade de abelhas. Na primavera, com o plantio para a próxima safra e a floração, é necessário intensificar os cuidados para que não haja danos aos polinizadores.

A aplicação de agrotóxicos de forma inadequada, fora da época recomendada e o uso de produtos não autorizados para as culturas são proibidos por lei. Essas irregularidades podem ocasionar graves danos às abelhas e demais polinizadores, aumentam o custo de produção, uma vez que a eficiência técnica dos mesmos não é alcançada e aumentam também os riscos à saúde dos trabalhadores que manipulam e aplicam os agrotóxicos.

Os produtores rurais devem ficar atentos também porque os acidentes com mortandade de abelhas em Santa Catarina são investigados e, quando comprovado mau uso de agrotóxicos e podendo identificar um responsável, as medidas administrativas são tomadas.

Cuidados importantes na aplicação de agrotóxicos

  • Sempre seguir as recomendações dos responsáveis técnicos e as informações constantes na Receita Agronômica e nos rótulos dos produtos;
  • Quando houver aplicação de agrotóxicos, informe os apicultores que vivem em um raio de 5km da sua propriedade;
  • Fazer as pulverizações em períodos com pouca visitação de abelhas, de preferência aos finais da tarde, visto que o período de maior visitação das abelhas nas flores normalmente é no período da manhã;
  • Evitar aplicar agrotóxicos nos períodos de floradas das culturas e das plantas de cobertura do solo, período em que a visitação por polinizadores é intensa;
  • Seguir as regras e recomendações técnicas para a realização de misturas de produtos durante a dessecação das culturas, evitando o uso de inseticidas e nunca usar produtos que não tenham esse tipo de recomendação;
  • Aplicar agrotóxicos com os equipamentos e as condições climáticas adequadas diminuindo o risco da deriva dos produtos, para que não sejam levados pelo vento;
  • Observar sempre as distâncias de segurança entre as áreas de aplicação e as colmeias, o correto uso dos bicos de pulverização, a regulagem dos pulverizadores quanto a vazão e pressão de trabalho, a umidade do ar, a temperatura, e especialmente a velocidade e direção do vento.

Utilização racional de agrotóxicos

Entre as ações que podem ser tomadas para o uso racional de agrotóxicos estão as técnicas de rotação de culturas e controle biológico, além do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que consiste no monitoramento das populações de insetos, doenças ou plantas daninhas e na utilização de diversos métodos e medidas de manejo que visam manter as pragas sempre abaixo do nível em que podem causar danos às lavouras. Os agricultores interessados nessas práticas devem procurar um engenheiro agrônomo.

É importante lembrar que a aplicação de defensivos agrícolas, químicos ou biológicos, deve seguir as instruções do receituário agronômico e do profissional habilitado. Os produtores devem observar também as recomendações específicas sobre as condições climáticas contidas no rótulo e bula dos agrotóxicos.

Apicultura em SC

A apicultura está presente em cerca de 17 mil estabelecimentos agropecuários e em 98% dos municípios de Santa Catarina. Na safra 2019/20, o estado produziu 7,5 mil toneladas de mel, volume acima da média estadual, que é de 6,5 mil toneladas.

De acordo com levantamento feito pela Epagri e Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), em 2019 aproximadamente 6 mil famílias rurais de Santa Catarina tinham na meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) uma fonte de renda complementar.