Lares de idosos buscam alternativas para enfrentar a quarentena e manter os cuidados dos internados

Criciúma

O número de infectados pelo novo coronavírus vem aumentando diariamente pelo mundo. Desde o início da pandemia, a atenção para os perigos de contaminação era destacada com os chamados grupos de risco, que incluem pessoas com doenças crônicas, problemas pulmonares e os idosos. De acordo com dados dos boletins divulgados pelo governo do estado, em Santa Catarina 703 dos casos positivos da Covid-19 são de pessoas acima de 60 anos, sendo que a faixa etária com mais registros de morte é a de 70-79 anos.

Regionalmente, Criciúma registra a mesma situação. Cerca de 21,5% dos infectados no município tem idade acima de 60 anos e todas as mortes confirmadas até o momento foram de idosos. Desta maneira, os lares que abrigam especificamente as pessoas com idade mais avançada sofrem da preocupação redobrada neste tempo de pandemia.

Desde a aparição dos primeiros casos de coronavírus na região, no início de março, a vigilância epidemiológica orientou as casas de repouso da cidade para que as normas de proteção fossem cumpridas. No Asilo São Vicente de Paulo, no bairro Michel, as visitas foram totalmente suspensas e por tempo indeterminado. “A entrada é permitida apenas para os funcionários, mas, mesmo assim, dentro da residência não entramos com as roupas que viemos de fora, buscando não trazer o contágio através dos calçados, por exemplo”, explica a recepcionista Hilda Mendonça.

Ela ainda destaca o uso do álcool em gel, tanto em funcionários, como nos idosos, que já entendem as novas normas. Além disso, o processo de higienização, que anterior a pandemia já era recorrente, aumentou nos últimos meses. “Todos os produtos que chegam de doação também são higienizados e nós temos usado as máscaras. Toda a proteção necessária para essa pandemia está sendo colocada em prática e nós temos a vencido dia após dia” comenta.

A solidão do isolamento social

Por estarem no grupo de risco, os idosos devem seguir rigorosamente a medida de isolamento social, de modo que muitos acabam sentindo o peso da solidão, e no caso dos asilos, o pensamento de abandono. “No início foi difícil, mas procuramos passar para eles da melhor maneira possível. Estamos sempre explicando que é uma gripe muito agressiva, que as medidas são para sua segurança, e hoje em dia eles entendem” conta Hilda.

Tanto no São Vicente de Paulo, como no Lar de Auxílio aos Idosos Feistauer, a tecnologia tem agido a favor nesta situação. “Com familiares, eles estão falando por vídeo chamadas no celular e as famílias sempre ligando para saber como eles estão aqui dentro”, conta a proprietária Noelci Feistauer.

Para diminuir as distâncias e aliviar a saudade, somente desta maneira. Os idosos que possuem uma boa compreensão se comunicam diretamente com os parentes, caso contrário, os próprios funcionários auxiliam nas ligações. “No contato com a família sempre frisamos que eles estão bem, tranquilos, sendo bem tratados e dessa forma a gente tem feito e tem dado certo”, conclui Hilda.