Quase 15 toneladas e R$ 143 mil reais são desviados da Afasc

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Polícia Civil concluiu inquérito de investigação do caso Bocas Famintas ontem

Aproximadamente 15 toneladas de carne foram desviadas, num valor de R$143 mil, no caso da Afasc, denominado pela Polícia Civil de “Bocas Famintas”. Os dados foram divulgados ontem, em coletiva de imprensa, na 1ª Delegacia de Polícia (DP). O inquérito foi concluído e será remetido para o Ministério Público.

O delegado Túlio Falcão indiciou sete pessoas, que responderão pelos crimes de peculato e receptação qualificada. Falcão explicou que a investigação começou pela suspeita da coordenadora da Afasc, que denunciou o que ela considerada um suposto desvio. A Polícia Civil então montou uma operação, dividida em duas etapas: a primeira contou com a prisão em flagrante da nutricionista na cooperativa que fornecia as carnes; e a segunda ocorreu nas creches, onde os investigadores fizeram buscas.

A investigação demonstrou que o Colégio Lapagesse teve o maior desvio, já que a creche tem a maior quantidade de alunos. “No Lapagesse descobrimos que foi desviado 3.133 quilos de carne e da cooperativa 11,5 toneladas de alimentos”, falou Túlio Falcão.

O delegado disse ainda que não foi possível identificar nenhum outro funcionário público envolvido no caso, apenas a nutricionista. “Tentamos identificar ainda a participação de mais funcionários públicos no esquema, mas não encontramos. Antes das investigações o assunto vazou e a própria nutricionista correu atrás de testemunhas e destruiu algumas provas. Mesmo assim conseguimos bastante informações que colocam ela no crime”, acrescentou.

Secos e molhados

Segundo o delegado, não foram desviadas apenas carnes. “Outros alimentos secos foram desviados, mas a carne foi o item mais desviado. A carne em si tem como nós fazermos uma contabilidade, porque ela desviava e assinava os recibos. A taxista também assinava a planilha, fazia a contabilidade e quando entregava nas escolas também assinavam a quantidade recebida. Então tem como fazer essa comparação do que a Afasc pagou e do que foi distribuído nas escolas”, explicou Falcão.

Versões da funcionária

O delegado Túlio Falcão ainda informou que a funcionária apresentou duas versões sobre o caso: uma no auto de lavratura; e outra após o início da investigação. “No início ela afirmou que não vendia carne nenhuma, que tudo isso seria esclarecido. Posteriormente, quando ela soube da entrevista e que nossa equipe já teria identificado um possível comprador que comprava diretamente com ela, ela já mudou a sua estratégia de defesa dizendo que realmente ela comprava carne para a Afasc e como pessoas física”, comentou.

As investigações levaram a identificação de outros quatro restaurantes, sendo que um resultou em uma prisão em flagrante.