Do parto à recuperação: ginecologista aborda tratamentos para lacerações

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Ginecologista Gabriela Effting Crema trata do assunto e traz dicas para diminuir a laceração

Da Redação

O parto é um momento especial para a mulher e, claro, para toda a família. Mas, também pode trazer algum tipo de desconforto no corpo da mulher e ela ter algum tipo de laceração perineal e pode precisar de ajuda médica, com isso, é necessário atenção no pós-parto.

A ginecologista Gabriela Effting Crema, da clínica Belvivere, explica que existem quatro graus de laceração perineal que são classificados de acordo com a extensão da lesão: Grau 1: Laceração superficial da pele e tecidos perineais superficiais; Grau 2: Laceração que envolve músculos do períneo, além da pele; Grau 3: Laceração que se estende até o esfíncter anal, mas não o rompe completamente; e Grau 4: Laceração que se estende até o esfíncter anal e o rompe completamente, podendo também afetar o reto.

“A cicatrização costuma ser tranquila na região perineal, mas pode ocorrer dor, inchaço, hematomas, aumento da sensibilidade e sensação de ardência ou coceira. Esses sintomas costumam ser causados pela resposta inflamatória do corpo à lesão do tecido e à cicatrização”, explica a ginecologista.

Gabriela afirma que os cuidados consistem em manter a região limpa e seca, realizar compressas frias, evitar exercícios intensos nas primeiras semanas e manter uma dieta equilibrada e ingestão hídrica adequada, a fim de evitar grandes esforços para evacuar. “Após o período de cicatrização, a depender da queixa da paciente, temos opções como cremes vaginais, laser e fisioterapia pélvica, com intuito de melhorar o ressecamento vaginal, sensação frouxidão ou até mesmo a cicatriz”, comenta.

Conforme a ginecologista, diferente do que se imagina, o tamanho do bebê não aumenta o risco de laceração, justamente porque o períneo é composto de músculos que se adaptam à passagem. “Os fatores que aumentam o risco de laceração são o fato de ser ou não o primeiro parto, idade gestacional maior ou igual 42 semanas, perímetro cefálico fetal maior que 35 centímetros. Já o segundo estágio do trabalho de parto maior que duas horas, parto vaginal operatório, realização de episiotomia (corte cirúrgico provocado), uso de ocitocina e indução do parto”, detalha.

A ginecologista comenta que nem todas as lacerações necessitam de sutura. “Precisa-se avaliar sangramento, extensão da lesão, localização e se houve distorção de anatomia da região. A avaliação é realizada pela equipe do parto logo após o nascimento. A principal forma de evitar as lacerações é evitar procedimentos desnecessários durante o parto. Fisioterapia pélvica e massagem perineal orientada por profissional especializado podem reduzir a chance também. As lacerações costumam cicatrizar num período de duas a três semanas, os fios que usamos em caso de sutura são absorvíveis, então a paciente não precisa retirar”, frisa.

É possível diminuir o risco de uma laceração?

Gabriela explica que é possível diminuir o risco de uma laceração com alguns cuidados. “A principal forma de evitar as lacerações é evitar procedimentos desnecessários durante o parto. Fisioterapia pélvica e massagem perineal orientada por profissional especializado podem reduzir a chance também”, pontua.