Setor plástico: Nova reunião ocorre na segunda-feira

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Representantes das empresas vão apresentar o resultado da assembleia patronal realizada em dezembro para discutir proposta do TRT

As negociações para a renovação da convenção coletiva dos trabalhadores do setor plástico da região tem novo capítulo marcado para esta segunda-feira. A partir das 13h30min, representantes da classe patronal e laboral vão se encontrar na sede da Associação Empresarial de Criciúma (ACIC), em mais uma tentativa de chegar a um acordo.

O Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc) e o Sindicato das Indústrias de Descartáveis Plásticos do Estado de Santa Catarina (Sindesc) ingressaram com ação de dissídio coletivo na Justiça Trabalhista devido ao impasse nas rodadas de negociação realizadas anteriormente entre as partes. A convenção coletiva expirou em 31 de março do ano passado.

O entrave, entretanto, não se desfez nem com a intermediação da Justiça. Em audiência ocorrida em novembro, no Tribunal Regional do Trabalho, em Florianópolis, o desembargador elaborou uma proposta, que prevê reajuste de 2% (1,56% já foi repassado aos salários); a obrigatoriedade de as homologações de rescisões de contrato de trabalho com mais de nove meses ocorrerem no sindicato laboral e o abono de R$ 870, pago para todos, em parcela única, na folha de janeiro de 2019, que deve ser quitada até o quinto dia útil de fevereiro.

A proposta foi submetida a uma assembleia patronal em 12 de dezembro e o resultado apresentado ao TRT no dia 17. Caso não haja acordo, o processo prosseguirá a partir de 21 de janeiro, em razão do recesso do Judiciário.

“A assembleia resultou em decisão pela sua aprovação parcial, permanecendo o impasse em alguns pontos. Esses pontos divergentes serão oficializados no encontro com os representantes dos trabalhadores, por isso não vamos divulgá-los antes da reunião de segunda-feira”, afirma o secretário executivo do Sinplasc, Elias Caetano, integrante da comissão de negociação formada pelas empresas.

Devem participar do encontro, além dos representantes da classe patronal, dirigentes do sindicato que representa a categoria na região e integrantes da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (Fetiesc).

“Patrões querem atrapalhar o sindicato”, diz Carlos de Cordes

Conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Plásticas, Químicas e Farmacêuticas de Criciúma e Região, mais de 8 mil pessoas são empregadas por empresas do setor na região. E o presidente da entidade, Carlos de Cordes, lamenta que o impasse perdure.

“Não há dúvida alguma: os patrões querem adiar a assinatura da convenção coletiva com um único objetivo, que é o de atrapalhar o sindicato e, para isso, penalizam os trabalhadores do setor. Mas se enganam, pois não é desta forma que vão nos atingir; continuamos firmes em nossa missão de defender a categoria”, diz o dirigente sindical.

“Também é evidente que desta forma querem aumentar seus lucros e fragilizar a classe trabalhadora, pagando salários cada vez menores e ficando livres para praticar a reforma trabalhista, já que não temos convenção coletiva em vigor”. Por exemplo: o que justifica eles não aceitarem homologar rescisão de contratos de trabalho no sindicato?”, questiona.

De Cordes entende que o momento vivido pela categoria serve para mostrar o nível de respeito que o patrão dá aos seus empregados. “Esperamos que os trabalhadores vejam e analisem isto, pois é deste desrespeito que cresce o sentimento de indignação já estampado no rosto de cada pai ou mãe de família, de cada jovem que deixa parte de sua vida na fábrica para enriquecer seu patrão”, finaliza.

“Embora tenhamos colocado um grande esforço buscando consenso para agilizar o fechamento de um acordo, lamentamos a demora por um resultado definitivo, que
penaliza não somente as empresas, mas sobretudo aos empregados. Resta pedirmos a compreensão de todos”, manifestaram-se as empresas por meio de nota oficial.