Amrec se solidariza com Murialdo Gastaldon e emite nota

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Entidade alega que prefeitos de todo o Estado de Santa Catarina tem sofrido pré-julgamento

A Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) emitiu Nota de Solidariedade e Posicionamento em razão de nota de apoio publicada pela Associação Catarinense do Ministério Público ao Promotor de Justiça Fernando Rodrigues de Menezes Júnior, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Içara, divulgada aqui no Jornal Gazeta na semana passada.

A rusga travada entre Murialdo e o promotor ficou pública após uma nota encaminhada à imprensa pelo prefeito de Içara contestando o promotor de Justiça Fernando Rodrigues de Menezes Júnior, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Içara, por este pedir o bloqueio de bens do prefeito em ação civil de improbidade administrativa.

Em função da nota do prefeito, a Associação Catarinense do Ministério Público emitiu uma (contra)nota de apoio ao promotor. Todas as notas foram publicadas pelo Jornal Gazeta.

Agora surge a nota da Amrec em apoio a Murialdo. A seguir, leia a nota na íntegra:

Nota de Solidariedade e Posicionamento

A Associação do Municípios da Região Carbonífera (Amrec), vem a público registrar solidariedade ao prefeito de Içara, Murialdo Canto Gastaldon, em razão de nota de apoio publicada pela Associação Catarinense do Ministério Público ao Promotor de Justiça Fernando Rodrigues de Menezes Júnior, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Içara.

A exemplo do prefeito Murialdo Canto Gastaldon, prefeitos de todo o Estado de Santa Catarina têm sofrido com pré-julgamentos de atos administrativos e posições equivocadas de promotores do Ministério Público, que têm o papel de oferecer denúncia e não pré-julgar qualquer cidadão.

Ao contrário do alegado, não raras vezes nos deparamos com membros do Ministério Público expondo em redes sociais posicionamento sobre determinados casos, sem contar as inúmeras vezes que acionam a imprensa, justamente para falar publicamente sobre processos.

Cita-se, por exemplo, a decisão que mantém o prefeito de Lauro Muller, Valdir Fontanella, afastado do cargo desde o dia dois de dezembro de 2019 (02/12/2019), sem ao menos lhe ter sido oportunizado seu direito de ampla defesa e contraditório.

O fato desse ou daquele prefeito estar sendo investigado ou processado não autoriza que qualquer membro do Ministério Público venha a público expor os fatos denunciados, muito menos fazer pré-julgamentos, pois, como a própria nota diz, a discussão deve se circunscrever aos autos do processo.

A Amrec defende que o Ministério Público deve ser tão transparente quanto qualquer outro órgão, e os promotores podem e devem ser questionados como qualquer outro agente público.

Recorrer à corregedoria é um direito de todo e qualquer cidadão que se sinta prejudicado e isso não pode fazer dele culpado. A corregedoria existe justamente para avaliar erros e excessos que possam ser praticados, como acontece em qualquer outra profissão.

A Amrec reconhece o trabalho e atua junto com todos os poderes, sabe da importância do Ministério Público em diversos casos Brasil a fora. Defende e respeita a instituição, bem como os profissionais que fazem um trabalho sério. O MP presta um grande serviço ao País, mas isso não é uma garantia de que seus membros jamais possam errar, cometer excessos e até abuso do poder. E sempre que isso ocorrer a Amrec não se calará. Cobrará, de forma respeitosa e em conformidade com a lei, a apuração das condutas e providências a serem tomadas.

Por fim, a Amrec reitera sua solidariedade aos prefeitos que têm tido sua imagem desgastada publicamente antes mesmo de qualquer decisão judicial. Seja por falta de zelo e respeito com as pessoas ou até mesmo por maldade de alguns membros do MP-SC, que não podem e não irão prejudicar a reputação do Ministério Público, que é imprescindível à nação. O Estado Democrático de Direito se fortalece sempre que os poderes constituídos compreendem suas funções e trabalham com respeito entre eles.