Coluna Economia em foco – 04/06/2019

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A bolsa essa semana I

A leitura de que o índice Bovespa permanece em fase de consolidação, conforme apontado pela coluna nas últimas semanas, permanece válida. Apesar da queda observada entre os dias 13/05 e 17/05, o lado vendedor do mercado não teve força suficiente para romper o suporte dos 91.000 pontos. Houveram alguns “testes” do mercado abaixo desse limite, com destaque para a mínima de 89.625 pontos precificada nos contratos de índice Ibovespa futuro no dia 17/05, entretanto, logo nos dois pregões consecutivos, o lado comprador do mercado venceu a disputa, trazendo novamente as cotações para o patamar dos 95.000 pontos, rompendo esse valor de resistência dia 28/05, e mantendo-se oscilante entre essa última pontuação e o máximo de 98.225 observada dia 31/05. No mês de maio o índice Ibovespa fechou com ligeira alta de 0,7%.

A bolsa essa semana II

O que esperar para os próximos dias? Possivelmente um pouco de briga no canal entre 96.000 e 98.000 pontos sem ignorar o suporte estabelecido na faixa dos 93.700 pontos. A fase permanece sendo de consolidação com perda da força de tendência de queda verificada há poucas semanas atrás e, talvez, um ligeiro viés de alta.

A bolsa em maio

Cabe destacar que em todos os anos o mês de maio costuma apresentar algumas ingratas supressas aos investidores, sendo caracterizado como um mês normalmente de baixas. Observando nos anos anteriores, podemos contar com os seguintes eventos que puxaram as cotações para baixo na Bovespa: em maio de 2018 tivemos a greve dos caminhoneiros, com queda no mês em -10,3%, em maio de 2017 a delação de Joesley Batista, reduzindo as cotações em -5,4%, em 2016 a aceitação do pedido de impeachment de Dilma Roussef, com perdas observadas na bolsa em -11,3%, e assim por diante. Em resumo, tivemos um maio de 2019 totalmente atípico, sendo ele ligeiramente positivo.

O dólar futuro essa semana

Exatamente como havíamos apontado algumas semanas atrás o mercado dos contratos de dólar futuro vem apresentando sinal de consolidação. Isso significa que a tendência de alta, iniciada no fim do mês de fevereiro de 2019, perdeu sua força. Apesar da forte movimentação de alta verificada principalmente entre os dias 16/05 – 20/05, atingindo a máxima de 4,135 R$/US$, o lado comprador do mercado não teve força suficiente para precificar e manter a moeda acima da linha de resistência de 4,029 R$/US$. Podemos trabalhar, então, com expectativas para a próxima semana de cotação da moeda entre valores essa resistência apontada e um suporte intermediário na faixa dos 3,874 R$/US$.

Expectativas para a Economia I

O Relatório Focus, divulgado semanalmente pelo BACEN, resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação, sendo sempre divulgado em todas as segundas-feiras. O relatório traz o comportamento semanal das previsões para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. Essas informações são muito influentes para a conduta da Política Monetária executada pelo BACEN, pois direcionam o rumo da taxa de juros SELIC. A previsão do mercado financeiro para o crescimento do PIB foi revisada para baixo: enquanto o mercado acreditava há quatro semanas atrás que o crescimento do PIB seria de 1,70%, no presente esse valor foi reduzido para 1,23%, acumulando 13 semanas consecutivas de revisões em sentido de queda para esse indicador. Os analistas do mercado financeiro mantiveram estável suas expectativas para a taxa SELIC, permanecendo o valor de 6,50% ao ano pela 16ª semana consecutiva, assim como as expectativas para a inflação: o mercado considera que o IPCA pode atingir 4,07% até o fim de 2019. O valor esperado para o dólar até o fim do ano permanece aumentou em comparação ao que se acreditava há um mês atrás, com valor esperado de 3,80 R$/US$ no fim de 2019.

Expectativas para a Economia II

O mercado tem revisto frequentemente o valor esperado para o saldo em Conta Corrente, mensurado em bilhões de dólares. Atualmente o mercado prevê que o saldo para o fim de 2019 será de US$ -25 bilhões. Essa conta registra as entradas e saídas devidas ao comércio de bens e serviços, bem como pagamentos de transferências do Brasil com o exterior. Há pouco mais de 4 semanas o mercado acreditava que esse valor seria ainda menor, em torno de US$ -25,29 bilhões. Os Investimentos Diretos no País esperados para 2019 permanecem no valor de US$ 83,29 bilhões, por sua vez, crescendo um pouco quando comparada a previsão de um mês atrás, estimada em US$ 82 bilhões.

Expectativas para a Economia III

m revisado, para cima, suas expectativas quanto à evolução da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) em termos percentuais do PIB. Atualmente o valor estimado pelos analistas é que a DLSP corresponda a 56,20% do PIB em 2019 e com valor crescente ao longo do tempo, atingindo o máximo de 61,30% do PIB em 2022.

Economista Amauri de Souza Porto Junior – Professor do curso de Ciências Econômicas da UNESC / Contato: aspj@unesc.net