Morador de Içara, Rodrigo (nome fictício) está há cerca de dez anos sem consumir bebidas alcoólicas. Após tratamento no grupo de apoio Alcoólicos Anônimos do município no qual reside, ele criou forças para enfrentar o vício nascido ainda durante a adolescência. Hoje aos 52 anos, Rodrigo vive um dia de cada vez.

“Eu descobri (o vício) ainda na adolescência, e bebi até os 43 anos. Só parei através dos Alcoólicos Anônimos. Chegava a beber de três a cinco litros de cachaça por dia. Acabei parando sem tratamento com remédios, só através do programa mesmo, com depoimentos e com a ajuda dos meus familiares. Graças a Deus, já faz dez anos que eu não ingiro mais nada de álcool”, conta o içarense.

Durante o processo, Rodrigo contou com o apoio da família, principalmente, de sua esposa, que também participa do grupo de apoio à familiares e amigos de dependentes químicos, Al-Anon. O grupo funciona ao lado dos Alcoólicos Anônimos. E, atualmente, os dois permanecem frequentando as reuniões.

 

A luta de uma mãe

 

Maria (nome fictício), mãe de Samuel (nome fictício), tenta desde 2001 uma solução para afastar o filho do vício do álcool. A moradora de Içara percebeu a doença no filho, ainda no início da adolescência dele, aos 16 anos. E logo buscou tratamento para o rapaz, que não foram bem sucedidos.

“A partir do momento que eu não conseguia mais conduzir a situação sozinha, procurei ajuda na Subsecretaria (de Políticas Públicas sobre Drogas de Içara), e indicaram internação”, lembra Maria.

Entretanto, hoje ela desacredita dessa forma de tratamento. “Eu não acredito mais em internação, nem na compulsória e nem de livre e espontânea vontade. Porque ele sempre fugia, arrumava confusão para ser expulso. Na última, que foi compulsória, ele não ficou nem dois meses”, relata.

No momento, segundo ela, o filho, hoje com 34 anos, busca tratar o vício de forma independente, ou seja, sem ajuda de profissionais. “Ele está tentando se recuperar por conta própria, se juntou com uma menina da igreja, e estão trabalhando juntos. Ele é pedreiro e ela é servente. Ela nunca deixa ele sozinho, sempre o acompanha”, declara.

 

Terapia familiar

 

A maneira como o filho está lidando com o problema não é a melhor, de acordo com Maria. “Eu falei para ele ir buscar tratamento, procurar medicamentos, porque é mais rápido e fácil”, afirma.

Diferente de Samuel, a mãe participa das ações oferecidas pela Subsecretaria. “Participo do grupo de terapia familiar e me ajuda muito, porque a gente vê que não é a única, que não está sozinha”, comenta.

A rede de saúde pública do município promove os grupos de apoio, recuperação e orientação de famílias e alcoólatras. Para os que buscam tratamento do vício, há os Alcoólicos Anônimos, enquanto as famílias podem participar do programa de Terapia Familiar, ministrado pela psicóloga Rainilde Luciano.

Os grupos procuram dar apoio e promover a troca de experiências entre os participantes, segundo a coordenadora da subsecretaria, Mara Rubia Scremin. O de Terapia Familiar, ainda de acordo com ela, é voltado, em especial, para mulheres que têm filhos ou parceiros viciados.

“São feitas conversas com os participantes. No de Terapia Familiar, a psicóloga faz orientações. Ela orienta, principalmente, as famílias como proceder nesses casos. E ajuda, principalmente as mães, que não sabem como agir quando têm filhos, esposos viciados. Acabam se culpando, muitas vezes até ficando doentes”, explica.

 

Atendimentos também são feitos de forma individual

 

Além dos grupos de apoio, a rede pública de saúde do município também oferece atendimentos individuais aos alcoólatras, conforme Mara Rubia Scremin, coordenadora da Subsecretaria de Políticas Públicas sobre Drogas de Içara, órgão localizado no bairro Cristo Rei.

“Nós da subsecretaria encaminhamos as pessoas que nos procuram ao grupo de apoio, o Alcoólicos Anônimos. E também temos atendimentos individuais com psicóloga, e também com a psiquiatra Renata Goudo”, informa.

Os grupos têm reuniões em dias e locais diferentes. O Alcoólicos Anônimos tem frequência de encontros semanalmente, às segundas-feiras, no Salão da Igreja Matriz São Donato, no Centro de Içara. A reunião ocorre das 20 às 22 horas.

Já a Terapia Familiar realiza encontros mensalmente, em datas que dependem do mês. A próxima reunião está agendada para 13 de março, às 13h30min, no segundo piso do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), no bairro Cristo Rei. O encontro é acompanhado pela psicóloga Rainilde Luciano.

 

Semana de conscientização debateu o assunto

 

Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, e a fim de conscientizar a população sobre os malefícios do álcool, sobretudo em grandes quantidades, a Subsecretaria de Políticas Públicas sobre Drogas de Içara organizou uma série de eventos, na última semana. O encerramento aconteceu nessa segunda-feira, com a visita a uma empresa da cidade.

Durante a semana, ocorreram diversas palestras no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) dos bairros Jaqueline e Esplanada, além de empresas do município. Um evento realizado na quarta-feira contou com palestra do subtenente da Polícia Militar de Santa Catarina, Cláudio Fernando Wolff.